- Segundo aniversario do acordo de paz -

Numa altura em que o mundo descobre o potencial de Angola, o país enfrenta o desafio de implementar estratégias inovativas e efectivas para abraçar o investimento

Presidente dos Santos realça o fortalecimento de relações com os parceiros internacionais

devastação causada pela longa guerra civil de Angola continua a dominar o seu tempo de paz. Gerações que conheciam nada mais que a guerra esforçam-se para tentar compreender esta nova faceta das suas vidas, enquanto as suas maiores preocupações continua sendo a sobrevivência. Os confrontos armados deram lugar a discussões políticas e as vítimas do conflito necessitam assistência . Milhões são dependentes de ajuda alimentar internacional. Todavia as pontes e estradas necessárias para fazer chegar esta ajuda já não existem e milhões de minas terrestres nos campos ainda não foram removidas. Há fome e excessivo desemprego. Há doenças e pobreza. Entretanto existe nestes dias em Angola uma paz duradoura e, com isso, esperança.

A resistência e optimismo do povo Angolano é literalmente inextinguível e, dois anos depois do tratado de paz, quando o país começa lentamente a reconstruir-se e o governo enfrenta desafios apôs desafios, continua a haver um orgulho e um sentimento de sucesso no ar que deixa entender que, com Angola, isto é apenas uma questão de tempo. O Presidente José Eduardo dos Santos diz, “A paz que foi conquistada a elevado custo por todos os Angolanos está firmemente estabelecida no nosso país. Tendo vivido os horrores de uma guerra recente, os Angolanos hoje estimam esta paz como um dos seus maiores bens. Aprendemos todos que é incomparavelmente melhor viver em paz e ser capaz de discutir livremente as nossas diferenças, do que viver permanentemente em condições inseguras.”

Fernando Da Piedade Dias dos Santos


Fernando Da Piedade Dias dos Santos
Primeiro Ministro

“A paz é definitiva. Agora a reconciliação é a nossa principal prioridade”

E houve progressos em Angola, nestes dois anos passados. Reconstruir o país é uma tarefa mor, devendo levar o país até a próxima década, mas o governo conseguiu estabilizar e liberalizar a economia, e milhões de pessoas deslocadas regressaram à casa. A ajuda da comunidade internacional na reintegração dessas pessoas e na reconstrução das infra-estruturas é essencial. Embora tenham passados dois anos crucias sem ajuda estrangeira significante, frustrando esforços do governo Angolano para efectivamente realizar empreendimentos sociais significantes, tudo leva a crer que uma conferência internacional de doadores será finalmente realizada no próximo ano. O Primeiro Ministro Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” comenta, “O nosso maior e mais imediato desafio em Angola é a fome, mas para combater isso temos de reconstruir o país e não podemos fazê-lo sozinhos. Pedimos ajuda internacional, mas ela tarda a chegar”.

A crescente probabilidade de uma conferência de doadores é resultado de significantes avanços que o governo tem feito, nomeadamente com a implementação de reformas macroeconómicas recomendadas pelo
Fundo Monetário Internacional desde a assinatura do tratado de paz em Abril de 2002 – reformas que amansaram a inflação e levaram ao controlo as taxas de câmbios que estavam descontroladamente flutuantes.
Adicionalmente, o Presidente Dos Santos diz que esses ganhos vão agora permitir a sua administração focar mais efectivamente na redução da pobreza. “O governo agora planeia consolidar esta estabilidade económica, empreender uma luta mais eficiente contra a pobreza e criar as condições para fortalecer a confiança do investidor por forma a promover o crescimento do sector privado e impulsionar o emprego.”

A PAZ ABRIU AS PORTAS PARA PERSPECTIVAS PROMISSORAS DE CRESCIMENTO E ESTABILIDADE

O antigo Chefe das Forças Armadas Angolanas e primeiro Embaixador Angolano nos EUA, General N’Dalu exerceu um papel crucial nas negociações de paz em Angola.

General N’Dalu


General N’Dalu
Antigo Chefe das Forças Armadas Angolanas e Primeiro Embaixador Angolano nos EUA

“O acordo de paz esta a dar um salto gigante para o futuro”

Ele enfatiza o desejo do governo de diversificar a economia e reconstruir o sector agrícola negligenciado devido a guerra.

Ele diz, “acredito que o futuro de Angola está no seu sector agrícola, uma vez que possui 60% de terra fértil. Durante a colonização Portuguesa, a agricultura era o nosso sector mais forte; éramos os terceiros produtores mundiais de café no mundo, além de um grande produtor de cereais e leite.” Embora o governo Angolano esteja agora muito dependente das suas receitas petrolíferas, o General N’Dalu diz que isto é resultado da guerra já que a maioria das descobertas petrolíferas estão localizadas no alto mar, longe do conflito, e assim evitou os prejuízos que sofreram os outros sectores localizados no continente. Ele também comentou que o Governo agiu prudentemente no desenvolvimento do seu sector petrolífero – não há monopólios e a presença de um variado número de companhias internacionais foi sempre encorajada.

A infra-estrutura debilitada, tanto no sector dos transportes como a nível da administração do Estado, também inibiram a realização de novas eleições presidenciais. O Primeiro Ministro Fernando Dias dos Santos explica , “O governo tem trabalho para expandir e normalizar a administração do estado em todo o território nacional por forma a garantir a livre circulação de pessoas e bens. Embora tenhamos feito progressos na reinserção de ex-combatentes, ainda não conseguimos registrar a população para votar.”

Isaias Samakuva


Isaias Samakuva
Presidente da UNITA

“Todos os partidos políticos precisam sentir-se envolvidos numa Angola de paz”

Isaías Samakuva, presidente do maior partido da oposição UNITA (a União Nacional para a Independência Total de Angola), tem pressionado o governo para acelerar o processo das eleições, preterido devido a redacçao de uma nova constituição, que deverá instaurar completamente a nova democracia no país. Ele comenta, “Nós não podemos continuar com esta oligarquia então a primeira coisa que temos que fazer é realizar eleições. O país também precisa de uma nova constituição, mas o processo de revisão constitucional pode demorar seis anos por isso tal não pode impedir que as eleições sejam realizadas.” O presidente dos Santos disse esperar que a nova constituição e a lei eleitoral sejam aprovadas este ano, proceder ao registo de eleitores em 2005, e realizar eleições em 2006.


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